Censura: Juiz federal derruba grande parte da lei de proibição de livros na Flórida
29 de agosto de 2025Um juiz federal dos EUA decidiu anular a maior parte da lei HB 1069, que restringia livros em escolas e bibliotecas do estado da Flórida.
Segundo a decisão, a legislação estadual violava os direitos de liberdade de expressão garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. O magistrado também afirmou que mais de 20 livros listados como “questionados” no estado não são obscenos.
Embora a decisão não devolva imediatamente esses títulos às prateleiras de bibliotecas e salas de aula, o julgamento vem sendo comemorado por organizações que defendem o acesso à leitura, como o Florida Freedom to Read Project. A diretora da entidade, Stephana Ferrell, classificou a decisão como uma grande vitória para escolas, pais e alunos da Flórida.
“O juiz reconheceu que os estudantes têm direito ao acesso à informação e que os autores têm direito de ver suas obras chegarem ao público sem limitações baseadas em ideologia”, afirmou Ferrell.
Ela destacou ainda que a decisão facilita que pais e estudantes processem escolas e distritos caso determinados livros sejam removidos.
“É muito importante que 23 obras tenham sido mencionadas, com o reconhecimento de que não são obscenas e que as restrições impostas são inconstitucionais. Isso abre caminho para que famílias possam buscar seus direitos na Justiça”, completou.
O Departamento de Educação da Flórida, por outro lado, anunciou que pretende recorrer.
“Seguiremos firmes em nosso compromisso de defender os direitos dos pais e de proteger as crianças contra conteúdos inadequados. Esta é uma luta que estamos determinados a vencer, não importa o quanto os ativistas tentem nos impedir”, declarou a pasta em nota oficial.
A decisão ocorre um ano após grandes editoras e autores de literatura juvenil, como John Green e Julia Alvarez, moverem uma ação contra a lei da Flórida. A ação também envolveu os conselhos escolares dos condados de Orange e Volusia, após a retirada de dezenas de livros de bibliotecas escolares.
Na época, o Departamento de Educação estadual classificou o processo como uma “encenação” e negou que houvesse proibição de livros no estado, afirmando que apenas “materiais sexualmente explícitos” não eram adequados para ambientes escolares.
Com a decisão federal, livros ainda podem ser removidos caso sejam considerados “pornográficos”, mas isso só será possível se passarem pelo chamado Teste de Miller, parâmetro jurídico que define o que pode ou não ser classificado como obsceno.
Entre os livros que o juiz considerou não obscenos e que não deveriam ter sido removidos das escolas da Flórida estão:
- The Color Purple
- Half of a Yellow Sun
- Cloud Atlas
- The Splendid and the Vile
- I am Not Your Perfect Mexican Daughter
- The Freedom Writers Diary: How a Teacher and 150 Teens Used Writing to Change Themselves and the World Around Them
- On the Road
- Nineteen Minutes
- Paper Towns
- Looking for Alaska
- How the García Girls Lost Their Accents
- The Kite Runner
- Slaughterhouse-Five
- Shout
- Last Night at the Telegraph Club
- The Handmaid’s Tale
- Native Son
- Kaffir Boy: The True Story of a Black Youth’s Coming of Age in Apartheid South Africa
- Water for Elephants
- Beloved
- Song of Solomon
- The Bluest Eye
- Homegoing


